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A História do Café: origem e trajetória

No dia 1º de outubro é comemorado o Dia Internacional do Café. A história do café no mundo é algo que interessa a maioria dos apreciadores da bebida. E não são poucos! Em 2018-2019 o mercado de café atingiu mundialmente o volume físico total de 164,84 milhões de sacas de 60kg.

Foto: Bruno Regert

Segundo a Associação Brasileira de Indústria de Café (ABIC), no Brasil 95% da população bebe cafezinho e nós fomos responsáveis pela produção de aproximadamente 49 milhões de sacas produzidas em 2019. Em 2020 a previsão é de 57 milhões!

Esses números mostram a estreita relação da humanidade com o café, mas quando isso começou? Onde o café foi descoberto? Como ele chegou ao Brasil? Segue com a gente para saber sobre a história do café.

História do café: descoberta

Existem diversas lendas que tentam explicar o início da história do café, sua descoberta pelo homem. Porém, a mais difundida é sobre um pastor chamado Kaldi que, por volta do ano de 575, vivia na Etiópia e percebeu um comportamento estranho do seu rebanho.

Ele notou que, ao comerem as frutinhas de uma determinada árvore, as cabras ficavam enérgicas demais para dormir à noite. Kaldi compartilhou suas observações com um abade do monastério local, que fez uma infusão com as mesmas frutas e ficou impressionado que a bebida o mantinha acordado por muitas horas para rezar.

Daí então a notícia das cerejas energizantes começou a se espalhar. Em determinado momento, um dos monges julgou que aquela planta era profana e jogou as sementes na fogueira. O cheiro que exalou dos grãos torrados era incrível. Deles foi feita uma bebida de cor escura, o nosso delicioso café.

Vamos aos fatos

O cafeeiro é uma planta de sub-bosque, originária do continente africano, das regiões altas da Etiópia (Cafa e Enária). Seu nome pode decorrer da região Cafa. O que podemos ter certeza sobre a história do café é que o cultivo e o comércio começaram na Península Arábica, no século XV. Os árabes tentaram manter o café em segredo, pois foram os primeiros a cultivar a planta “milagrosa”, já que o café tinha  uso medicinal diverso na época.

De lá, se espalhou para a Pérsia, Egito, Síria e Turquia. Nesses países o café era desfrutado em casa e em cafés públicos chamados de qahveh khaneh. Essas “cafeterias” eram extremamente populares para troca de informações na época.

Viajando para a região, os europeus ficavam maravilhados com o café. Foi somente no século XVII que o café chegou à Europa e se tornou popular em todo o continente. Algumas pessoas suspeitaram dos efeitos que o café provocava, e o chamaram de “amarga invenção do Satanás”. O clero local condenou o café quando chegou a Veneza em 1615. A controvérsia foi tão grande que o Papa Clemente VIII foi convidado a intervir. Ele decidiu provar a bebida antes de tomar uma decisão, mas achou a bebida tão satisfatória que lhe deu aprovação papal. 

O sucesso da bebida era tanto que em universidades eram consumidas xícaras ao preço de centavos. Começou-se a substituir a cerveja e o vinho no café da manhã, os únicos estimulantes consumidos na época. 

Outro impulso ao consumo de café durante a história do café ocorreu por volta de 1770, nos Estados Unidos. Na ocasião, revoltados com o aumento abusivo dos impostos sobre o chá, muitos norte-americanos adotaram o café durante a Revolução Americana – tomar chá era considerado um ato antipatriótico. Isso mudou os rumos da história e do próprio café, que passou a ser considerada “a bebida do mundo civilizado”.

História do café: o cultivo se espalha pelo mundo

A demanda por esse energético natural continuou a crescer e as disputas para cultivar o café fora da Arábia também, de acordo com a história do café. Os holandeses tentaram sem sucesso plantar algumas mudas na Índia em meados do século XVII, mas foi na ilha de Java (principal ilha da Indonésia) que a planta vingou. As plantações prosperaram e foram se expandindo também pelas ilhas de Sumatra e Celebes.

Em 1714 o prefeito de Amsterdã presenteou o rei Luís XIV da França com uma muda de café. O Jardim Botânico Real foi o lugar escolhido para receber tão importante árvore. 

Por sua vez, o rei presenteou um oficial da marinha em 1723, com uma nova muda que foi levada para as ilhas de Bourbon (hoje, ilhas Reunião). A planta não só vingou como se espalhou por diversas ilhas ao redor e prosperou por mais de 50 anos nas lavouras locais. Essa muda foi matriz de todos os cafeeiros do Caribe, América do Sul e Central, a variedade é conhecida hoje como Bourbon, em homenagem a sua “terra natal”.

Como o café chegou ao Brasil?

Foi em 1727, em segredo. O Sargento Francisco de Mello Palheta foi enviado em uma missão à Guiana Francesa para obter mudas de cafeeiro. A história do café conta que ele teve que seduzir a esposa do governador para conseguir completar a missão: os franceses não estavam dispostos a compartilhar, mas cativada pela sua boa aparência, a mulher lhe deu um buquê de flores onde havia escondido sementes suficientes para começar o plantio nas nossas terras. Porém, é mais acreditável que ele pagou alguém para conseguir as sementes.

Depois de tentativas sem sucesso de lavouras no Pará, mudas de cafeeiro foram levadas à região Sudeste. Pela proximidade com o porto, o Rio de Janeiro foi escolhido para acolher a maior parte dos cafezais

O ciclo do café no Brasil

Entre 1835 e 1850, concentrada no Vale do Paraíba Fluminense, a produção de café sextuplicou e o Rio de Janeiro sozinho foi responsável por cerca de 80% da produção nacional de café e 40% da produção mundial, o equivalente na época a mais de 70% do PIB nacional brasileiro.

A indústria cafeeira nesse momento da história do café dependia do trabalho escravo e na primeira metade do século XIX 1,5 milhão de escravos foram importados para o Brasil a fim de suprir as necessidades das plantações no Sudeste, mas com a proibição do tráfico de escravos em 1850, os cafeicultores passaram progressivamente a contar com mão de obra imigrante europeia nas fazendas.

Anos mais tarde perceberam que o café plantado lá não tinha a mesma qualidade dos grãos produzidos em regiões mais altas, e isso somava-se ao fato da alta umidade que dificultava a seca do café, mofando-o e gerando defeitos que são mundialmente conhecidos até hoje, como o café rio, riado e riozona, que deriva de Rio de Janeiro.

Ciclo do café em São Paulo

 Por volta de 1850, o esgotamento das áreas e a perda da fertilidade do solo, fez a produção expandir-se à região oeste do Rio de Janeiro, no Estado de São Paulo. As principais cidades dessa nova área de expansão foram Campinas, Limeira, Bragança Paulista e Amparo que, por muitos anos, foram as maiores produtoras nacionais.

 A denominação Oeste Velho vem do fato de tratar-se da primeira região expandida após o Vale do Paraíba paulista, São Paulo torna-se então o maior estado produtor de café no Brasil.

Ciclo do café no Paraná 

O café chegou ao Paraná no início do século XX e provocou uma grande onda de migração interna, atraiu paulistas, mineiros, catarinenses, nordestinos e ainda mais estrangeiros. 

De acordo com a história do café, o crescimento da cultura cafeeira foi lento e atingiu o auge na década de 1960 quando representava 60% da produção agropecuária do Paraná e 50% da produção nacional, com 1,8 milhão de hectares de café, e uma média de 20 milhões de sacas colhidas. Nessa época, foi criada a rodovia do café para ligar o norte e o noroeste ao litoral.

Em 1960, nasceu a café Damasco na região de Curitiba. O grupo, que reuniu seis pequenas empresas, atua no mercado interno e exportação. Atualmente, faz parte de uma holding holandesa (Jacobs Douwe Egberts) que é considerada a segunda maior empresa de café do mundo.

Geada negra 

O Paraná passou por muitas geadas severas desde a década de 1950. Em 1953, 1957 e 1969,, geadas queimaram mais de 50% dos cafezais, em 69 por exemplo, 70% dos cafezais foram afetados. 

Mas, em 18 de julho de 1975, quando detinha 48% da produção nacional, uma geada negra destruiu os cafezais. A geada branca é quando há formação de gelo sobre a planta, já na geada negra as plantas atingidas adquirem uma coloração marrom devido a rajadas de vento e queimam por completo, por isso o nome de geada negra.

O Paraná tem hoje 40 mil hectares de lavoura de café. A produção chega a 1 milhão de sacas ao ano.

Minas Gerais   

Atualmente Minas Gerais é a maior região produtora do Brasil, porém já possuía cultivo de café desde o meio do século XVIII, mas foi após a geada negra ocorrida no Paraná, quando muitos produtores paranaenses deixaram as plantações dizimadas atraídos por incentivos fiscais do governo, que o estado ganhou força e se tornou a maior região produtora do Brasil até os dias atuais, respondendo por cerca de 50% de toda a produção nacional.

Datas importantes da história do café 

1820: A partir dessa década, o Brasil conquistou o título de exportador de café com exportações contínuas do produto. Essas cultivadas no Vale do Paraíba-SP, Araxá-MG e Goiás.

1845: A produção brasileira representava 45% do café mundial.

1918: A grande geada reduziu a produção brasileira aumentando os preços.

1932: Queima de estoques devido à superprodução, o que causava desvalorização do produto. Até 1944 foram incineradas mais de 78 milhões de sacas. 

1939 a 1945: A Segunda Guerra Mundial causou queda nos preços internacionais do produto.

1962/67: Em 1964, a retenção de estoques chegou a 48 milhões de sacas. Foram erradicados 2 bilhões de pés de café como tentativa de elevação dos preços que estavam muito baixos.

1969: Geada no Paraná destruiu cerca de 80% da safra seguinte aumentando os preços.

1977: Preços altos devido à geada em 1975, que dizimou a cafeicultura no sul do país. Maior ocorrência da doença “ferrugem alaranjada do cafeeiro”. Na mesma época o preço do café foi o mais alto da História, cerca de 400 dólares por saca.

1986: Longo período de seca e esgotamento dos cafeeiros no centro-sul do país causa grande elevação dos preços. Assim, o Acordo Internacional do Café deixa de valer. Começa a operar o mercado livre no exterior, assim há queda do preço.

1987: Renovação do Acordo Internacional do Café e, apesar dos preços em baixa, houve tendência de estabilização (120 a 140 cents de dólar por libra peso).

1989: Término do Acordo Internacional do café.

1994: Duas fortes geadas atingiram grandes áreas produtoras no Brasil. Praticamente todo o Estado do Paraná, grande parte do Estado de São Paulo e áreas expressivas do Sul de Minas Gerais tiveram suas lavouras seriamente atingidas. Os preços sofreram altas históricas, chegando a ultrapassar 200 dólares/saca.

1995: Grande redução da produção brasileira (cerca de 12 milhões de sacas), resultado das geadas em 1994. O preço cai um pouco, estabilizando entre 150 e 180 dólares/saca.

2011: O preço do café mais do que dobra entre 2010 e 2011, alcançando $350/saca em março de 2011, um recorde de mais de 30 anos. Isso se deve, em grande parte, à forte redução do estoque dos países consumidores e problemas na safra de alguns dos principais países produtores como a Colômbia.

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