superando-barreiras

Estabelecimentos Inclusivos, que bons exemplos podemos trazer?

 Você considera seu ambiente acessível? Uma cadeira de rodas passaria facilmente para entrar e se acomodar em alguma mesa? Ou um deficiente visual, conseguiria entrar sozinho nesse local? Ou pensando em um cliente surdo, você conseguiria se comunicar com ele?  Pode ser que seu estabelecimento até já tenha atendido alguma pessoa com deficiência, como foi essa experiência, positiva ou negativa? Isso que apresentamos os exemplos mais comuns, mas já parou para pensar em ter um funcionário com deficiência? São muitas perguntas e muitas reflexões.

Quem acompanha nossas postagens no LinkedIn percebeu o quanto abordamos o assunto da acessibilidade para as pessoas com deficiência (PCDs). Segundo dados do IBGE, pelo menos 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, quase 25% da população. 25% não é pouco, é um quarto dos habitantes. E um dado ainda mais alarmante, apenas 381 mil empregos são de PCDs. E por onde eles andam que geralmente se escondem na sociedade? Será que eles evitam certas situações ou por exatamente não termos ambientes acessíveis que eles não são vistos? Já pararam pra pensar?

No post de hoje queremos propor ideias, sugestões e soluções para vocês empresários. São cases de estabelecimentos de A&B (Alimentos & Bebidas) que se consolidaram como inclusivos e acessíveis.

Antes de mais nada, o CREA-PR tem uma comissão de acessibilidade voltada para tratar desses assuntos na parte estrutural. Para você que quer abrir um estabelecimento, saiba que existem algumas regras de acessibilidade para retirar o alvará. Você pode consultar a Norma da ABNT NBR9050 que trata da acessibilidade a edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos e ainda a Lei Federal 13.146 de 06 de julho de 2015, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência. E falando em legislação, você sabia que existe uma Lei Municipal em Curitiba que obriga estabelecimentos do ramo alimentar a disponibilizar um cardápio em braile quando o cliente solicitar? É a Lei nº 11.463 de 2005, que como não foi regulamentada, ainda não existe uma punição para os locais que descumpram a lei.

Mas vamos falar das ideias boas. Particularmente, o conceito de empresa 100% acessível e inclusiva remete a ter uma equipe também diversificada, melhor ainda se o proprietário também tiver uma deficiência, como é o caso do Il Sordo Gelato, fundada por Breno Oliveira que é surdo desde que nasceu. Breno via que o surdo geralmente ocupava a função de empacotador em pequenos mercados e, não imaginando esse futuro para ele, resolveu empreender com paletas. Foi para São Paulo aprimorar seus conhecimentos quando teve contato com a gelateria italiana e fundou seu próprio negócio em Aracaju. Como empresário, contratou outros surdos para a rede de gelatos, montando um ambiente com 100% dos funcionários com deficiência. Já na chegada ao estabelecimento você acompanha várias telas pelo local mostrando alguns sinais em Libras para o cliente se comunicar com os funcionários. O cliente ouvinte não precisa saber Libras para ser atendido, e a comunicação é mais fácil do que se imagina. A qualidade dos gelatos é incrível, tendo também opções veganas e zero lactose, fora a opção de cafés e outros doces com sorvete no cardápio. (A autora que vos escreve já conheceu presencialmente a gelataria e super indica a visita).

Indo agora para o outro lado do mundo, em Amsterdã, na Holanda, temos o Ctaste, uma experiência gastronômica que acontece no escuro, com 11 garçons que são deficiente visuais (e que também falam em inglês). O ambiente do restaurante para a área dos clientes não tem luz, e uma das regras é que os clientes também não podem levar luz externa (como o do celular, que fica guardado em um armário no início da experiência). Os clientes são guiados até as mesas pelos garçons cegos, e realizam as suas refeições sem saber o que de fato estão comendo, podendo chamar o garçom a qualquer momento. O chef da casa monta pratos em que aroma, sabor e textura são equilibrados especialmente para o escuro, pratos revelados somente no final da experiência.

Existem projetos de “teste às cegas” com cafés especiais, onde geralmente quem vai experimentar os cafés veda os olhos, aumentando seus outros sentidos, mas que também já foram feitos com deficientes visuais. Agora uma iniciativa bem legal são fazendas de café que adotaram o turismo sensorial e proporcionam essa experiência às pessoas com deficiências, onde elas podem tocar a planta, colher o grão, provar, conhecer o processo de secagem, entre tantas outras oportunidades, além de degustar um bom café. 

Em Blumenau e em São Paulo, temos exemplos de cafeterias inclusivas onde os funcionários tem Síndrome de Down, e são iniciativas que mostram que pessoas com deficiência são sim capazes de trabalhar!

Imagem: Acessibilidade na Prática

Para ajudar você leitor, vamos fazer um resumo das dicas colocadas durante esses dias para melhorar seu atendimento a PCDs:

  • Cliente cego ou com baixa visão: disponibilizar um cardápio em braille ou uma versão em audiodescrição ou ainda com letras ampliadas e com cores contrastantes. Disponibilizar um espaço para o cão-guia ao indicar a melhor mesa, e treinar os funcionários para atendê-lo dirigindo-se ao cego (alguns pecam quando se dirigem aos acompanhantes do deficiente), e quando colocar os itens na mesa localizar a direção deles, por exemplo: copo à direita, colher à esquerda.
  • Cliente cadeirante ou deficiente físico: rampas muito íngremes não são legais, estude a opção de rampas ou de plataformas que possibilitem a entrada. Busque sempre ter um banheiro adaptado para servir qualquer cliente. A altura das mesas deve ser pensada para encaixar a cadeira de rodas (70-75cm), e planejar o espaço para as manobras também.
  • Cliente surdo: se o cardápio do estabelecimento possui fotos de todos os itens já é de uma grande ajuda para a comunicação com o cliente, mas perfeito mesmo seria ter um funcionário intérprete de Libras e que ele tenha um pin, ou alguma outra sinalização que o identifique. 
  • Cliente com deficiência intelectual: treine seu funcionário para se dirigir sempre a PCD como com qualquer cliente, e respeitar o tempo de escolha e decisão dele. 

Claro que o mundo dos sonhos seria com piso tátil desde a entrada, barras com indicação em braile, intérpretes em Libras, e uma gestão pública alinhada a favorecer a acessibilidade para que as pessoas com deficiência tenham mais autonomia. Enquanto batalhamos por esse mundo, pense em outras soluções e propostas para auxiliar a conquistarmos o espaço da igualdade entre as pessoas. Se seu estabelecimento já faz algo a respeito, compartilhe com a gente!  Afinal, você quer ser um empreendimento que coloca barreiras ou que tira barreiras?

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